Monika Pecegueiro:
o prazer de fazer legendas para filmes
Um trabalho adrenalizado, quase sempre lutando contra o tempo. Esta é a opinião de
Monika Pecegueiro do Amaral, responsável pela legendagem de filmes da Warner, Lumière,
Columbia e Buena Vista, entre outras distribuidoras. Quase sempre ela se vê envolvida com
várias traduções ao mesmo tempo, e os prazos para entrega dos trabalhos costumam ser
muito apertados.
O que não a incomoda nem um pouco.
"Amo meu trabalho", afirma. Além de enfrentar um universo diferente a cada
filme, a legendagem caminha ao lado de uma de maiores paixões de Monika: a literatura.
"A limitação do espaço da legenda no cinema a aproxima da poesia. É preciso
encontrar a essência da palavra", diz ela.
"Chego a trabalhar treze horas
seguidas; quanto maior o tempo de dedicação, maior a concisão", conta ela. Para
Monika, são três os diferenciais da tradução para cinema: a síntese exigida para a
legenda de filmes, a questão de a linguagem oral estar sempre em transformação, sendo
constantemente presenteada com gírias novas, e o fato de o espectador ter acesso ao
diálogo original e a todo um código extra-lingüístico. Para resolver eventuais
problemas de linguagem, a tradutora se cerca de bons colaboradores. "Em Maré
Vermelha, que tinha uma linguagem específica da Marinha, contei com a assessoria do
Comandante Cláudio Azevedo",
exemplifica.
Trabalhando há sete anos com legendagem,
Monika é uma das poucas tradutoras no Brasil que tem seu nome figurando nos créditos.
"Normalmente, as legendas não são assinadas", informa Monika. Segundo ela,
isto se deve a dois fatores: distribuidoras e laboratórios que não dão o crédito e
tradutores não profissionais, inseguros quanto ao seu trabalho. "A tradução não
é um bico, é uma profissão que exige investimento em pesquisa e educação,
além de profundo domínio da língua. O tradutor que fez especialização, é membro do
sindicato e tem consciência do seu trabalho, exige o crédito", acrescenta Monika,
que também é professora da pós-graduação para tradutores na PUC.
Entre os filmes traduzidos que Monika
considera mais importantes na sua carreira, estão "Hamlet", de Kenneth
Brannagh, "Pulp Fiction", "Evita", "Todos dizem eu te amo" e
"Procura-se Amy". Recentemente, fez a legendagem dos filmes "O
Ciclone", "Sete dias e sete noites", "Mulan", "Night Watch
o principal suspeito" e "Carne Trêmula", trabalhando em todos ao
mesmo tempo.
Tradução apurada
Monika Pecegueiro formou-se na PUC, pelo
Departamento de Letras, com especialização em tradução. Trabalhou durante algum tempo
fazendo versões para o inglês de novelas que iriam ser dubladas.
Querendo aperfeiçoar o conhecimento da
narrativa, e ao mesmo tempo buscando uma vivência maior com o idioma inglês, Monika
passou quatro anos na Universidade Santa Bárbara, na Califórnia, fazendo
pós-graduação em literatura luso-brasileira. Tinha 26 anos. Hoje, com 37, Monika
para quem o tradutor é como um escritor avalia esta experiência como fundamental
para sua carreira. "Lá, fundamentei meus conhecimentos de literatura e
ficção", afirma ela.
Tirando férias espontâneas do meio
acadêmico, Monika foi morar seis meses em Sumatra, de onde voltou com um livro de
poesias. Depois, entrou para o mercado de legendagem.
